terça-feira, 5 de junho de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Desapego e Karma Yoga sob a luz da prática
É comum
definir, ou pensar a respeito do desapego como uma relação de distanciamento do
mundo. Desapegar-se de bens materiais, dos fatos, do dito ‘mundano’ e quiçá das
relações. Claro, isso até define o conceito, mas acredito que até aí, chegamos
à metade do caminho. Percebe-se, na maioria das vezes, uma tendência externa no
conceito, é um desapego ‘direcionado’ para o lado de fora. Isso costuma
transformar o desapegar-se em algo distante, inconcebível no ‘atual contexto’,
ou numa postura extremamente confortável e inerte.
E o que
acontece se invertermos essa polaridade? Se virarmos esse desapego em direção a
nós mesmos? ...Às nossas convicções e certezas... Aos nossos hábitos e zonas de
conforto, expectativas e projeções...? Não se levar tão a sério...
O ‘meio-desapego’, de uma única polaridade, uma
virtude pela metade, gera uma atitude negativa (de negação, mesmo) em relação
ao externo, ao mundo, à matéria, às pessoas. Creio que a virtude, por inteiro,
o "novo" desapego não se aproxime tanto dessa tendência reclusiva, "monástica",
e vá na direção de uma medida equilibrada. Nesse sentido, podemos elucidar a
noção de Karma Yoga, o yoga da ‘ação’ consciente, desinteressada ou desapegada.
Karma Yoga era uma prática
amplamente utilizada na Índia na qual o aspirante a yogin (praticante, ‘unindo’) deveria
passar por um período - que poderia levar meses ou anos - de serviço ao
local, ao templo, ashram, ou Mestre. Trabalhar na terra, servir, cozinhar,
limpar, tudo em prol do ambiente e das pessoas ao seu redor. Só então, o novato
seria gentilmente convidado a se sentar diante de um Yogi (auto-realizado,
‘unido’) e observar a própria respiração, segundo as orientações deste.
Durante este
período inicial se aplicava de forma prática a ética yogue (Yama e Niyama) e
suas simples normas como o contentamento, a veracidade, a auto-observação, e o
desapego (aparigraha = não-‘retenção’).
Reconhecer o
Divino, ou o espiritual como indiferenciado do mundo. Ver Deus na enxada e na
terra, na vassoura e na poeira que volta no dia seguinte, trazia consciência e
respeito ao que é o Karma (‘ação’, trabalho). Já é sabido que Karma não é o que
lhe persegue, ou aquela ‘fatura’ emocional que se espera na sua caixa de correio.
Não é passado ou futuro, mas Presente. A ação é o Presente que lhe é dado a
todo momento.
Não-retendo,
você permite que flua, permite que a vida aconteça através de você. Cessada a
resistência, o que sobra é potencial de ação. Um simples "sim", tomba a
barreira que distancia o eu do mundo. Lembre-se que você não é a marionete, mas
a mão que a leva. Não é preciso se enredar nas cordas. Deixar-se
permear pela vida. Aceitar e procurar por desafios, pois onde eles estão existe
uma compreensão por acontecer. Quanto do ‘eu’ já é possível deixar de lado em
favor de algo diferente d‘ele’ mesmo? Quanto de entrega
é necessário para a imobilidade física da meditação(?), que seja por 15 minutos
diários... Quanto de entrega é necessário para se manter as relações, de
trabalho, familiares ou conjugais. Quanto para manter um lar em ordem ou as
contas em dia? O mais confortável para o ‘eu’ não revela grandes
transformações. A vida indica o caminho - o jogo vai revelando as regras - e a
subida íngreme e pedregosa guarda a melhor vista.
De que forma o
tempo que lhe é permitido estar aqui é empreendido? O presente lhe é dado. E
você, quanto tem a oferecer? Como retribui a essa oportunidade? Quanto do
corpo, do tempo e da energia coloca à disposição do que lhe cerca?... Isso
define a qualidade do desapego em desenvolvimento, o servir, a entrega. A doença não
encontra brechas para chegar ao corpo entregue. A mente entretida na ação pouco
pode teimar com relação ao que é experimentado, e as emoções não têm tempo de
exercer influência sobre o equilíbrio.
Invertendo-se
a lógica do desapegar-se, a ‘persona’ não precisa se enraizar nem nos fatores
externos, como posses, a imagem, o corpo; nem nos internos, como as idéias
sobre o eu e as convicções protegidas pelo tempo. Identifique-se
ao fluxo aberto pelo qual tudo isso percorre. Permita-se reinventar tudo isso
quando em vez. Cabe dosar esta entrega, e permitir que flua através de você
para o mundo, o seu melhor, assim como aceitar a concepção de melhor que
manifesta o outro.
O que a Consciência faria no meu lugar, agora?
Wagner Souto. Formação profissional em Yoga com especialização e Hatha-Yoga. Há mais de dez anos, estudioso do Yoga, suas diversas linhagens, filosofias e técnicas. Conhecedor prático das disciplinas do Purna-Yoga e Ashtanga-vinyasa-yoga. Contato: wagnerssouto@gmail.com
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Sabe por que você sofre por amor?
Melhor dizendo, sabe por que você, eu e todas as pessoas do mundo sofremos, por qualquer que seja o motivo? Porque resistimos, rebelamo-nos e travamos uma luta contra o que está acontecendo e que não tem nos agradado!
Ou seja, não aceitamos a vida como ela está se mostrando num determinado momento. Não aceitamos o fluxo e passamos a investir pensamentos, sentimentos e emoções, e muitas vezes também palavras e ações, pra revelar nossa imensa indignação diante do acontecimento que está em desacordo com a nossa vontade.
E você poderia se justificar dizendo que faz isso porque não é acomodado, porque luta por aquilo que quer e porque acredita que quem não faz nada para mudar o que não está bom, é covarde, derrotado e fraco.
Compreendo seu ponto de vista e tenho certeza de que parte do seu argumento faz sentido. Mas explico: existe uma enorme diferença entre fazer o seu melhor e tentar tudo o que for possível (sem desrespeitar o limite do outro, claro!) para conseguir o que deseja e... não saber reconhecer a hora de parar e confiar no Universo, a hora de deixar a vida rolar...
Porque, no final das contas, é isso que se chama FÉ! Ou seja, confiar, entregar-se ao ritmo da vida sem ficar contestando, brigando, resistindo, tentando se convencer ou convencer o outro de que as coisas deveriam ser diferentes! Não deveriam!!! Se devessem, simplesmente seriam diferentes!
O fato é que nem você e nem ninguém tem controle sobre o mundo, sobre outra pessoa e, muitas vezes, nem sobre a própria vida. Nosso "controle" é parcial, é limitado, vai somente até onde estamos conscientes; e, acredite: a grande maioria de nós está bem pouco consciente diante de tudo o que existe ao nosso redor!
Podemos decidir muitas coisas, podemos e devemos fazer escolhas a todo momento, mas tudo isso tem influência sobre os resultados até certo ponto. Somos apenas uma pequena parte do todo e, por isso, vivemos também sob a influência do imponderável, do inexplicável, do invisível e até do impensável. Ou seja, vivemos sob as demandas do incontrolável.
E isso significa dizer que, muitas vezes, depois de já ter tentado tudo o que podia, depois de ter feito o melhor que conseguia, não haverá mais nada que você possa fazer para mudar uma situação senão aceitá-la exatamente como ela é, senão confiar na sabedoria da vida e acreditar que o que tiver de ser, será! Que o melhor pode estar por vir se você realmente estiver disposto a aprender, a não repetir os mesmos erros e a, sobretudo, se perdoar pelo que não conseguiu acertar desta vez!
E quando você consegue fazer isso, quando consegue respirar fundo e simplesmente confiar, é inacreditável como você relaxa e tudo começa a fazer mais sentido, tudo começa a ficar mais fácil do que tem sido... Ou seja, o sofrimento começa a diminuir, a dor começa a passar e você termina descobrindo que nada é por acaso mesmo!
Especialmente quando o assunto é dor de amor, sofrimento por alguma frustração ou desilusão amorosa, a gente costuma acreditar que nunca vai passar, ou que vai demorar mais do que podemos suportar, ou ainda que as consequências serão desastrosas, como nunca mais confiar em ninguém, nunca mais se entregar ou nunca mais sequer se relacionar.
Mas embora o tempo tenha seus segredos e poderes, há algo que você pode fazer agora para diminuir seu sofrimento, pra sentir essa dor sumir pouco a pouco. E isso é aceitar, confiar, entregar-se ao ritmo da vida, deixar-se levar com o fluxo do Universo e viver um dia de cada vez, sem fazer tantos planos, sem investir tantos pensamentos e tanta energia nesse acontecimento com o qual você não concorda! Apenas o agora, apenas este momento. E verá, surpreendido, que é bem mais fácil viver quando a gente para de brigar e simplesmente acredita que, ao fazer o nosso melhor, o que tiver de ser nosso, será - mais cedo ou mais tarde!
Rosana Braga - Autora dos livros "O PODER DA GENTILEZA" e "FAÇA O AMOR VALER A PENA", entre outros.
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